Publicada no dia 19/09/2009
Falta de tempo: o grande problema
O tempo passa... o tempo voa...

É comum ouvirmos esta expressão relativa ao tempo de hoje. Na verdade, todos nós experimentamos esse fato em nossas vidas. Lendo sobre o assunto, conclui que o tempo continua sendo o mesmo, quanto à sucessão das horas, dos minutos, dos segundos. O que mudou foi a nossa forma de viver esse tempo hoje em dia.
Essa nova realidade que nos faz desejar tudo sempre mais rápido, desde a refeição, assim como as informações, a comunicação. Corremos sem muitas vezes sabermos para que e para onde. Lemos algo sem nos lembrarmos segundos depois o que lemos. É dessa forma que, às vezes, vemos as pessoas se relacionarem com Deus, desejando respostas rápidas e curtas, instantâneas.
São Bento, em sua sabedoria, nos questiona essa tendência tão humana e que hoje temos a tentação de viver, quando diz num dos instrumentos das boas obras (Regra de São Bento, cap. 4,47): “Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo”.
Para algumas pessoas, à primeira vista, esse pensamento pode parecer um tanto mórbido, mas é o que faz toda a diferença de “como” podemos viver o nosso cotidiano. Devemos viver intensamente o momento presente, o “hodie” de nossa existência.
Muitas vezes para que isso se realize, temos que nadar contra a correnteza e o “stress” da falta de tempo, do fazer mil coisas ao mesmo tempo, banalizando as relações humanas e relativizando pelo frenesi do muito fazer, a beleza da Criação que nos envolve.
“Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo” é viver a importância da vida e tudo que dela faz parte; é não deixar para amanhã o que de importante eu tenho a fazer no dia de hoje: seja uma resposta, uma atenção, um perdão a ser dado, o bem que sou chamado a viver.
“Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo” é constatar a transitoriedade das coisas e que tudo nessa vida é relativo, passa, acaba, e poder olhar para o alto, em face da vida eterna, onde se encontram as verdadeiras e definitivas alegrias.
Busquemos as realidades imutáveis, corramos ao encontro Daquele que entrou no nosso tempo, para fazermos a experiência do verdadeiro Tempo em que a hora, o minuto, o segundo chamam-se: presente.



Madre Martha Lúcia Ribeiro Teixeira,OSB