Publicada no dia 01/04/2010
PÁSCOA DE 2010
Um tempo de silêncio...
Toda nossa vida é permeada por algum tempo de silêncio, por tempos de silêncio, pelo silêncio em si. Um silêncio que não é apenas ausência de barulho, de ruído, de som, mas um silêncio que é repleto de fecundidade, de vida, de Deus.
O tempo da Quaresma que vivemos nesses 40 dias antes da Páscoa nos ensinou a descobrirmos no silêncio da História da Salvação, a presença do Senhor e nos conduz para vivermos o Tríduo Pascal, na Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, o ápice da vida cristã. Esse silêncio culminará no grande silêncio do Sábado Santo. Esse silêncio de um Deus que dorme para que todos sejam acordados e ressuscitem para uma vida nova, uma vida plena, a verdadeira vida.
No 1º. Domingo da Quaresma tivemos no silêncio de Jesus, nos 40 dias do deserto, a sua vitória sobre a tentação. No Domingo seguinte, o grande silêncio dos três discípulos ante a manifestação de Jesus transfigurado. No 3º. Domingo, refletimos sobre o mistério da figueira estéril e o tempo do silêncio para a sua fecundação. No 4º. Domingo da Quaresma, vivemos o drama do silêncio do filho (chamado pródigo), do tempo de sua ausência e de um pai amoroso que espera em silêncio, noite e dia, a volta desse filho. Pensemos ainda no 5º. Domingo da Quaresma, em que a mulher flagrada em adultério, vive o momento mais profundo de sua nova vida, no silêncio das pedras que não lhe são atiradas e de um Deus que após seu silêncio a perdoa e a faz renascer. Temos ainda o Domingo de Ramos, em que sentimos, com a leitura da Paixão segundo São Lucas, o silêncio do sofrimento, da injustiça, da traição, da negação, vivido por Jesus. E por fim, o Sábado Santo como esse dia de grande silêncio contemplativo, repleto da esperança da Ressurreição, contendo em si mesmo, um mistério profundo de um silêncio de vida nova.
Toca-me profundamente esse olhar silencioso nos acontecimentos da História da Salvação, da história pessoal de cada um de nós. Refleti ainda neste tempo, como que num mundo tão marcado pelo excesso de ruídos e da falta total de repouso sonoro, ter chamado a atenção de tantas pessoas o filme “O Grande Silêncio” sobre a vida dos monges cartuxos, lançado alguns anos atrás.
Muitas vezes gostamos e ao mesmo tempo ficamos impactados por aquilo que nos falta e de que tanto temos necessidade.
Que nesse tempo após a Páscoa, possamos redescobrir a necessidade e a beleza desse grande dom do silêncio, para podermos saborear e fazer a experiência de um Deus que se tornou palavra para que o pudéssemos ouvir com os ouvidos do coração.
A todos os nossos amigos, benfeitores e familiares, uma Feliz Páscoa e tempo pascal repletos das graças do Cristo Ressuscitado!


Madre Martha Lúcia Ribeiro Teixeira,OSB