Publicada no dia 15/11/2010
Descobrir a gruta onde reside o mais íntimo de nosso ser
O fim do ano é sempre um tempo propício para avaliarmos como vivemos a nossa vida, como estão nossas esperanças, nossos sonhos e quais os nossos desejos para o ano vindouro. Pensar sobre isso me fez relembrar o que o mundo todo viveu alguns meses atrás, com a trágica situação dos 33 mineiros presos em uma mina no Chile.
O mundo parou no grande dia de seu resgate. Quanta emoção, quanta expectativa e o mais importante, quanta união entre as diversas nações, que colaboraram para que esse momento ocorresse.
Esse acontecimento me fez refletir que cada um de nós tem dentro de si uma mina escondida, uma profunda e escura gruta, onde reside o mais íntimo de nosso coração. Nesse lugar precisamos perguntarmo-nos o que é realmente essencial em nossa vida: o sol? o ar? o alimento? a água? Iremos perceber que não são muitas coisas, mas importantes e profundas.
Descobriremos que há sempre uma luz nessa gruta e que nós nunca podemos perdê-la. É a luz de nossa fé, de nossa esperança, do nosso amor.
Fé em Deus, esperança para viver, amor para entrar em contato com Ele, conosco mesmos e com os outros. Nós precisamos sentir o amor de Deus e acreditarmos nesse amor. O essencial em nós começa quando podemos sentir esse amor, quando podemos viver esse amor e desse amor e quando podemos dar esse amor.
Nós podemos amar porque fomos amados antes e para sempre.
Precisamos conhecer a nossa gruta e amá-la como o lugar onde Deus caminha conosco no fim da tarde. Lá onde nós temos perguntas sem respostas e respostas sem perguntas.
Refletir sobre esse acontecimento à luz do fim do Ano Litúrgico trouxe-me a certeza do quanto é importante a vigilância, estarmos prontos para o encontro com o Senhor. Encontro esse, sem dia e hora marcados, mas que deve ser desejado, buscado, sonhado, como aqueles 33 mineiros que ansiavam em reencontrar seus familiares, amigos, as pessoas que amavam.
A partir daquela experiência, tudo mudou na vida deles. Como deveríamos estar atentos a também desejar mudar algo em nossa vida, em vista desse resgate eterno que um dia viveremos.
O Evangelho nos últimos dias do tempo litúrgico nos diz que “haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas, e na terra a aflição das nações. Quando virdes estas coisas, sabei que está perto o Reino de Deus. Vigiai e orai, porque não sabeis quando será o tempo”.
Que possamos viver essa expectativa cada ano, para podermos acolher o Senhor quando Ele chegar nesse Natal de 2011 (2010 no ano civil), na gruta de Belém e um dia no nosso natal para a vida eterna, na gruta da eternidade.

Madre Martha Lúcia Ribeiro Teixeira,OSB