Publicada no dia 15/11/2012
A EXPERIÊNCIA DO ENCONTRO

No último mês de setembro, participei, na Itália, do Encontro anual internacional das beneditinas, representando a nossa região do Brasil, e, em seguida, pela primeira vez, do Congresso dos Abades no Ateneu Santo Anselmo, em Roma.
Teria, sem dúvida alguma, muitas coisas para partilhar dessa viagem, mas o que mais me marcou foram os diversos e belos encontros que vivi. Eu poderia até mesmo dizer que esses suplantaram todas as belezas que contemplei na Itália e também nos dias que passei na Alemanha.

Essa experiência fez-me refletir sobre a beleza e a profundidade de se viver o momento presente e de se estar presente a todo o momento que se vive. Mais do que ver, observar, fui marcada pelo ouvir, pelo estar, pelo encontro de partilhar momentos, sentimentos, impressões. Isso não se encontra nos livros, nos guias turísticos, nos cursos e no saber. É viver uma experiência de não ser tragado pelo tempo, pelas horas e pelos minutos, mas saboreá-lo como quem degusta uma deliciosa sobremesa.

Desses encontros aprendi muito e, sobretudo, desfrutei muito do lado bom da convivência humana. Desse saber esperar, desse marcar um horário para encontrar-se, de dialogar, de saber falar e ouvir, de não ter pressa, de caminhar juntos, de não querer usar de adivinhação, e, especialmente, de tentar entrar sempre em comunhão com o outro, mesmo através das diferenças das línguas, das culturas, das mentalidades. Há sempre espaço e momentos para a compreensão e para a verdadeira amizade.

Ao afã do conhecer e ver coisas, do procurar e comprar coisas, fui convidada a permanecer na companhia de pessoas, a desfrutar momentos de simplicidade, a tomar uma xícara de café ou de chá e refletir sobre a vida, o tempo, o futuro, o presente...

Pensei em como essa experiência se assemelhava há tantos encontros que Jesus teve durante a sua vida pública. Os Evangelhos são repletos desses encontros. Ele andava muito para tomar uma refeição em casa de seus amigos de Betânia, ou na casa de Zaqueu, ou de Simão, o fariseu. Sim, a vida evangélica é feita de encontros onde se encontra de fato o próprio Senhor.

Na vocação dos discípulos, tudo começou a partir de um encontro com Jesus e de um convite para segui-lo: « Vinde e vede ».

Essa experiência marcou e mudou a vida daqueles pescadores da Galiléia, como um dia mudaria também a vida de cada um de nós, que seguimos Jesus.

Aqui fica o meu profundo agradecimento, primeiramente a Deus, por me ter dado mais uma vez a oportunidade de poder encontrá-lo em pessoas que vivem tão distantes daqui; a todos e todas que me acompanharam com suas orações, tornando possível essa experiência pela qual, através do encontro com o outro, pude perceber a própria presença do Cristo ressuscitado, como os discípulos de Emaús experimentaram !

Me.Martha Lúcia Ribeiro Teixeira,OSB