EXÉQUIAS DE D.ABADE JOAQUIM DE ARRUDA ZAMITH, OSB
Sábio, experiente, que sobrenaturalizava todas as coisas e acontecimentos: assim foi D.Abade Joaquim, um homem de Deus!


No último dia 10 de novembro, acompanhamos com nossa oração os últimos momentos de vida de nosso caro e saudoso D. Abade Joaquim de Arruda Zamith. Sua páscoa foi nesse mesmo dia às 16 horas da tarde e as suas exéquias, marcadas para o dia 12 de novembro, com a Missa de corpo presente, às 16 horas, seguida do enterro no cemitério do Mosteiro de Vinhedo. No domingo, dia 9, um pouco antes da Missa das 8 horas, no Mosteiro de São Bento de Vinhedo, ele sofrera um AVC de grandes proporções.
De nosso Mosteiro fomos um grupo de 8 monjas, 3 das quais consagradas por ele, mais a nossa oblata, Ir. Ana Sofia, representando o grupo de nossos oblatos.
D. Abade Joaquim desde o princípio de nossa fundação foi como que um cofundador, no sentido de nos transmitir com fidelidade e amizade, os valores monástico-espirituais, com suas conferências quinzenais, quando ainda Abade do Mosteiro de São Bento de São Paulo, retiros, palestras, presidência no Tríduo Pascal durante vinte e cinco anos, e atendimento às confissões nas primeiras sextas-feiras, o que ele fez até o mês de outubro p.p, já com seus noventa anos de idade.
Por tudo isso todas nós somos profundamente gratas a ele, e sem dúvida alguma, também, às queridas Comunidades dos Mosteiros de São Bento de São Paulo e de Vinhedo.
Parte o monge, sacerdote e abade, e fica os seus inúmeros ensinamentos e a sua santidade.
Entre as coisas que escreveu gosto imensamente desse trecho de seu livro “Ensinamentos de um Abade”, quando define o monge com essas palavras:
“ O monge traz consigo um certo mistério. Ele é um enigma para quem procura entendê-lo e até para si mesmo. Nem ele próprio é capaz de explicar aos outros o que significa realmente “ser monge”. E não deve se admirar. E muito menos, querer esvaziar o mistério. Ele foi ferido no seu coração por uma flecha de amor. Alguém o amou e lhe revelou algo que jamais poderá esquecer. Por isso sua vida cristã não pode ser estruturada e administrada conforme alguns valores e padrões estabelecidos.
Ele é uma contínua busca, uma incessante corrida contra o tempo para já viver o Tempo, o momento do Encontro que lhe foi prometido. Desculpemos as suas extravagâncias e excessos (ai dele se não os tiver!) e peçamos sobretudo que jamais lhe falte o vento impetuoso do Espírito”.
Quanta profundidade, sabedoria e experiência de vida neste trecho acima! E assim foi D. Abade Joaquim: sábio, experiente, que sobrenaturalizava todas as coisas e acontecimentos, um homem de Deus! Hoje, lendo as palavras abaixo de Fernando Pessoa, só podemos pensar nele:
“O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e
pessoas incomparáveis”.

Me.Martha Lúcia Ribeiro Teixeira,osb