Homilia e fotos na Missa de 7º dia de Madre Dorotéia
Memória do Imaculado Coração de Maria


“TENDES UM GRANDE LUGAR EM NOSSO CORAÇÃO!”

Publicamos a seguir algumas fotos e a homilia de D.Geraldo González y Lima,osb, na Celebração Eucarística no 7º dia da Páscoa de nossa querida Madre Dorotéeia, sábado, 13 de junho, às 9 da manhã, Memória do Imaculado Coração de Maria. A Eucaristia foi presidida por D.Geraldo González y Lima,osb e concelebrada por D.Plácido Guarnieri,osb, ambos da Abadia de São Geraldo, São Paulo/SP. Oblatos e amigos do mosteiro também estiveram presentes.
Veja também em Palavra da Abadessa, a Conferência de Madre Martha Lúcia sobre Madre Dorotéia.

HOMILIA NA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
NO 7º DIA DA PÁSCOA DE NOSSA QUERIDA
MADRE DOROTÉIA RONDON AMARANTE,OSB
13 de junho de 2015 – Mosteiro Nossa Senhora da Paz
Memória do Imaculado Coração de Maria
Leituras: Is 61,9-11; Magnificat; Lc 2,41-51

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje celebramos duas memórias, a memória do Imaculado Coração de Maria e a memória de nossa querida Madre Dorotéia... E o que uma tem a ver com a outra? Liturgicamente, a Memória do Imaculado Coração de Maria foi fixada pela tradição da Igreja no Calendário litúrgico, logo em seguida à Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. E há um sentido muito humano, porque o “sagrado” nos inspira ao “imaculado”, e assim o foi na vida de Madre Dorotéia! Como no caso de Maria, Jesus é alguém que se revela na vida do monge e da monja pouco a pouco e continuamente. Com a sua vida, Madre Dorotéia testemunhou isso! E a chave do mistério de Jesus na vida de Maria está simplesmente neste versículo: “Sua mãe, porém, conservava no coração todas essas coisas.” (Lc 2,51) Que vem a ser, aliás, uma das grandes heranças do amor a Maria, a Senhora da Paz, que nos foi ofertado pela Madre Dorotéia ao cumprir-se, mais uma vez a profecia de Isaías: “Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus. Ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com a sua coroa, ou uma noiva com as suas joias. Assim, como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.” (Is 61,9-10) Por outro lado, sempre que celebro a vida de alguém, ao longo de sua vida terrena, não posso deixar de associá-la com a vida de Cristo, Rei e Senhor na vida de Madre Dorotéia e, em poucas e rápidas palavras, relaciono a peregrinação terrestre de Madre Dorotéia com a vida de Cristo.
1) A vida escondida de Madre Dorotéia
O que melhor pode falar da vida de um monge senão a sua vida escondida em Jesus no seio de sua comunidade?
2) O deserto de Madre Dorotéia
Como lugar teológico, o deserto é o lugar dos três “s” e o dos dois “t”, os “s” do silêncio, da solidão e do Senhor e os “t” da tentação e da teofania. E os três primeiros, o silêncio, a solidão e o Senhor, sempre iluminaram os outros dois: as armadilhas da tentação e a profundidade das teofanias.
3) A vida pública de Madre Dorotéia
Mesmo escondida em Jesus e amante do deserto de sua comunidade, Madre Dorotéia também deixou marcas públicas de sua vida, particularmente, com as duas fundações que lhes foram designadas: as Abadias de Santa Escolástica em Buenos Aires e a de Nossa Senhora da Paz, aqui em Itapecerica da Serra.
4) O caminho de Madre Dorotéia
Creio que a docilidade de sua obediência, sem dúvida alguma foi o caminho de seu Magnificat, mas gostaria de evidenciar outros dois traços que a caracterizaram: a graça da perseverança e a alegria da fidelidade! Obediência, perseverança e fidelidade: o que mais precisamos para procurar seguir e servir a Cristo?
5) A paixão de Madre Dorotéia
Fico pensando, em sua longa vida monástica, quantos momentos de “paixão”, ela viveu em seus dois momentos como fundadora e em seu profícuo serviço como prioresa conventual e como abadessa? Quanta solidão em todos eles... Mas se houve paixão, não lhe faltou “com-paixão”!
6) A morte de Madre Dorotéia
Ela morreu como viveu, apagou-se continuamente, como uma vela e sempre contemplando o círio, celebrou a sua páscoa, a sua passagem por esta terra!
7) A ressurreição de Madre Dorotéia
Agora, no “campo sacro” de seu mosteiro, no cemitério, seu dormitório, ela aguarda a ressurreição dos mortos junto com o coro celeste dos nossos antepassados na fé. Para os que ainda peregrinamos, fica algo muito brasileiro, a saudade! E temos que ser sinceros, a saudade é grande, mas a fé é mais forte ... e a ressurreição existe! E a saudade é o amor que fica e que dá o sentido da paz! Retornando à Memória do Imaculado Coração de Maria, no testemunho do sagrado ao imaculado e na transição do imanente ao transcendente, coloco uma pequena oração nos lábios de Madre Dorotéia:
Senhor,
pelo coração de Maria,
que o teu Pai,
seja o meu Pai
... e o nosso Pai!
Que assim seja!

(D.Geraldo González y Lima,osb)