Entrada de Karine Gonçalves no Noviciado dos Oblatos

Após do Ofício de Noa, neste V Domingo da Páscoa, Karine Gonçalves foi admitida como noviça, entre os oblatos de São Bento, em nosso mosteiro. Recebeu o nome de Ir.Teresa Beneditina da Cruz, como sua santa padroeira e a medalha de São Bento, como sinal da disposição de viver no mundo o espírito da Regra de São Bento.
Após a Liturgia da Palavra, Madre Martha Lúcia dirigiu algumas palavras explicando o sentido do rito e o significado e a importância de ser um oblato beneditino. Leia o texto na íntegra abaixo e em Palavra da Abadessa.
Que Ir.Teresa Beneditina da Cruz,nov.obl.OSB, crescendo sempre no zelo bom, tema a Deus com amor e ponha em ação castamente a caridade fraterna em sua vocação e vida, assim como todos os filhos e filhas de São Bento!

Alocução de Madre Martha Lúcia na Entrada no Noviciado dos Oblatos de Karine

Caríssimos irmãos e irmãs Com alegria nos reunimos, hoje, aqui em nossa igreja, nesse 5º Domingo da Páscoa, para acolher essa nossa irmã Karine, para iniciar seu noviciado de oblatos. O oblato é um cristão desejoso de viver com convicção e profundidade o Evangelho e que descobriu na Regra de São Bento um caminho de luz que lhe facilita seguir o Cristo e o estimula a servir a Deus e aos irmãos com um amor mais puro e generoso, em seu próprio estado de vida. A oblação pressupõe, pois, um cristão convicto e consequente, que sabe muito bem que encontrará melhor modo de ser fiel a Cristo e ao Evangelho no lugar e na situação concreta em que Deus o colocou. Não é necessário que fuja às realidades da vida para ser um bom cristão. Pelo contrário, é preciso assumi-las plenamente, infundindo-lhes, porém, um novo espírito, olhando-as com uma nova visão, orientando-as para um fim superior. É a novidade que vem do Evangelho. Como acabamos de ouvir na liturgia da Palavra, São Bento inicia a Santa Regra com essa palavra tão rica de sentido e significado: ESCUTA (filho os preceitos do Mestre). Na Bíblia, o homem é aquele que vive na presença do Absoluto (Deus, Transcendência infinita). O homem pode encontrar e conhecer a Deus, porque primeiro Deus conhece e encontra o homem. O sentido mais adequado para conhecer a Deus é a audição, porque o homem deve escutar a Deus e Deus encontra o homem na Palavra. Para São Bento o monge é alguém que escuta (Obsculta) e obedece (audire – obaudire). Desse modo pode voltar a Deus (Pr 2) e buscar a Deus (RB 58). Por isso, São Bento no Prólogo da Regra dirige-se a “quem quer que sejas, que renunciando às tuas próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência, para militar sob o verdadeiro Rei, Cristo Senhor”; dirige-se àqueles, que querem ser guiados pela luz da fé, para seguir o Cristo. Por isso São Bento se propõe constituir “uma escola do serviço do Senhor”, onde possam aprender a “progredir na fé e na observância das boas obras, guiados pelo Evangelho”, a fim de trilhar o mesmo “caminho d’Aquele que nos chamou para o seu Reino”(Prólogo). Como se dá na vida beneditina essa escuta, essa procura de Deus? Na solicitude ao Ofício Divino, que é a Palavra de Deus; na Escritura, através da lectio divina; e na obediência, obaudire, isto é, na escuta. Mas São Bento nos fala, também, da docilidade e solicitude nos opróbrios, para que não nos assustemos tentando logo fugir, mas que com humildade e acolhendo no coração a Palavra de Deus, esse vai se dilatando, transformado nessa mesma Palavra, e então, como ouvimos no final do Prólogo, nós podemos correr no caminho dos mandamentos de Deus. A aventura espiritual de nossa vida, portanto, consiste em Deus que nos procura na sua Palavra e nós que devemos escutá-la para podermos responder-lhe; pois procurar a Deus é ao mesmo tempo encontrá-lo. O oblato beneditino descobriu que os ensinamentos de São Bento se adaptam bem à sua maneira de ser, à sua formação, ao seu modo de formular o ideal evangélico. Por isso, toma como “mestra de vida” a Regra de São Bento. Nessa escola do serviço do Senhor, que é o mosteiro, São Bento nos ensina, cada dia, a escutar com o coração, a obedecer em todo o tempo, a permanecer e a progredir, correndo no caminho dos mandamentos de Deus, com o coração repleto de amor e de alegria, ao encontro desse Bom Pai. Como tão bem expressou o salmista, “pelos prados e campinas verdejantes, ele nos leva a descansar” (Sl 22). Pois escutar e executar eficazmente o conselho de um bom pai, nada mais é do que fazer parte desse rebanho do Bom Pastor. Hoje, Karine, você é chamada a dar testemunho, através da oração e do trabalho, de “como o Senhor é Bom”. É chamada a ser um instrumento de paz para todos ao seu redor, testemunhando através do trabalho, o desejo de uma vida unida a Deus, uma vida que tem Deus por primazia, aprofundando cada dia os valores evangélicos. Que hoje, nesse belo 5º domingo da Páscoa, você possa renovar esse desejo profundo de seguir a Jesus mais de perto, que significa colocar o pé na sua pegada; passar por onde Ele passou; viver o que Ele viveu; desejar o que Ele desejou, pois como ouvimos hoje no Evangelho desse domingo: “ Meu Pai é glorificado quando produzis muito fruto e vos tornais meus discípulos” (Jo 15, 8). Que essa celebração da entrada para o noviciado da Karine, inunde de graças o coração de cada um de nós, para que escutando e seguindo, continuamente, o Bom Pastor, nada prefiramos ao Seu amor, que nos conduza todos juntos para a vida eterna. Amém.